Taverna das Lendas

Gustavo Nader fala sobre Hearthstone, as experiencias como dublador e muito mais!

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Gustavo Nader é um dublador, ator e diretor de dublagem brasileiro, com uma grande carreira, além de diversos trabalhos nos jogos, atualmente ele também é vice presidente da Federação de Esporte Eletrônico do Estado do Rio de Janeiro (e-FERJ).

Essa entrevista foi feita em conjunto ao Eduquesa da Taverna das Divas.

 Ser dublador foi um sonho ou uma oportunidade?
Nader– Tinham vizinhos no prédio onde eu morava, o Mario Jorge e a Mônica Rossi, aos 6 anos de idade eles me deram um gravador, era a turma do he-man me dando os parabéns, eu fiquei o tempo inteiro na minha festa de aniversário escutando aquilo e nem ligava para os presentes. Aos 9 eles me perguntaram se eu não queria fazer um teste de dublagem para um filme, eles me disseram que era aquilo que eles faziam, fui ao estúdio da Herbert Richers, com a Marlene Costa (diretora) e ela disse -‘Queríamos fazer um teste com você’, 7 ou 8 anos depois eu acabei fazendo o mesmo personagem numa redublagem, depois disso fui fazendo alguns trabalhos e conquistando o meu espaço.

 Antes disso, o que você queria ser quando criança?
Nader– Eu queria ser cientista maluco! Não é que eu quisesse ser cientista, eu queria ser cientista maluco.
 Assim como o Dr. Cabum?
Nader– Isso! Maluco eu já sou, faltou a parte do cientista.

 Você já dublou filmes, animações, jogos, o que é mais prazeroso e mais trabalhoso?
Nader– Depende, tem personagem que não importam a mídia, eles te exigem mais, eu fiz um filme chamado a As Mil Palavras, eu fiz o assistente do Eddie Murphy, aquilo deu muito trabalho. Foi logo após o vazamento de Tropa de Elite, os filmes vinham lá de fora com partes pretas e umas bolas para tampar e perseguir a boca, e não é fácil de fazer, eu fazia o cara que fala igual o Eddie Murphy,então era um filme extremamente trabalhoso, mas que eu tive o privilégio de um colega de profissão me ligar, falar que tinha acabo de assistir o filme e elogiar o meu trabalho. Outro filme que gostei muito de fazer foi o Paranóia, onde fiz o Shia LaBeouf, fazia muito ele no Brasil, outro que gostei Wrench (Watch Dogs 2), não é que tenha dado trabalho, porque eu já tinha estudado a obra, mas inovador dentro daquilo sim. Então é diferença de mídia, mas que se você não tiver paixão por aquilo que aquilo que você faz, você não encontra resposta, isso que para mim é importante. Eu não aceito trabalho que eu não vou fazer bem feito, se vou entrar num lugar que sinto que não deveria estar ali, é a última vez que vou estar ali, ou pessoa pode fazer melhor que eu.

 Já teve algum trabalho que fez até o final e não gostou do resultado?

Nader-Já, teve um que fui fazer porque o cara tinha faltado, mas tinha prazo, o papel não era para mim, mas o direto falou -‘só tem você e nós precisamos entregar o filme hoje’, é engraçado porquê quando você está dublando você tem inseguranças pensando se o publico vai gostar, eu fiz o Elfo em Desencanto, o Felipe Drumond era o diretor e eu ficava inseguro no começo, o Leonard (The Big Ben Theory), eu passei no teste e ficava pensando -‘sou eu que vou fazer mesmo?’ Você tem essas inseguranças como ator, seu papel é sempre questionar aquilo, sua insegurança nunca pode te impedir de executar a obra, tem vezes que seu trabalho não vai ser bom nesse sentido, as vezes você não vai se sentir a vontade e seu trabalho vai ser bacana.

 E algum personagem você viu e pensou, é a minha cara, é isso que eu queria?
Nader– Sim, vou te contar, o Gnomo Leproso não era para eu fazer.
 Nós gostamos tanto dele!
Nader– Todo muito ama, é impressionante! O dublador não pode ir no dia, e eu tive que fazer para entregar, o Gasganete quando pediram também, eu fiz, mandaram minha voz para um departamento que não conhecia, todo mundo gostou. O Shia LaBeouf quando eu fazia, gostava muito, ele tinha umas sutilezas na interpretação belíssimas, gostei muito do Zezé de Em Nome da Lei, o Neco de Um Tio Quase Perfeito, o Altemar de ‘Êta muito bom!‘, eles eram minha cara, até porque sou o ator, é interessante porque se você não encontra um processo de identificação com o personagem eles não conseguem existir, as vezes o trabalho até fica técnico, mas ele não tem uma dimensão artística, tem um descompasso entre uma coisa e outra, é muito doido, eu sou.

 Qual sua opinião sobre pessoas que são convidadas para dublar somente pela fama que tem?
Nader– Eu não posso falar de um trabalho específico de outra pessoa porque eu não participei dele. Se você está ali para fazer aquilo, você tem que fazer como profissional fosse, se não for assim, você não deveria estar ali. Já tive casos em que tive que usar pessoas que não eram tão experientes na dublagem, mas que tinham a voz que eu precisava, então eu peguei aquela pessoa no meu colo e desenvolvemos um trabalho, se eu mostrar é incapaz de dizer que nunca dublaram antes, porque se o trabalho pudesse ser realizado em 5 horas, eu quero 10 horas, porque ele não tem o tanto de estofo artístico necessário para realizar o trabalho em menos tempo, eu tive vários casos assim, de refação em que no final o cliente me agradeceu por não saber que sairia daquela forma. Antes de ser ator, diretor, você tem que ter uma dimensão de ser humano, para saber o quanto o outro pode te dar e de onde você pode tirar mais, até mesmo com os profissionais, de fazer mais isso ou aquilo, mudar algumas coisas.

 Quando foi seu primeiro contato com a Blizzard?
Nader– Eu fui dublar wow sem saber o que era e tinha um pessoal da tradução e localização lá, da empresa que a Blizzard havia contratado na época, eu perguntei se tinha alguma vaga qualquer e eles falaram para mandar o currículo, depois de um tempo eles me chamaram para trabalhar em Diablo.

Bate-bola

 Classe favorita?
Nader– Mago
 Herói de mago favorito?
Nader– Jaina
 Carta de mago favorita?
Nader– Chuga Chuga [Rompe-Neve]
 Carta lendária favorita?
NaderLorde Jaraxxus
 Expansão favorita?
Nader– Geringontizan
 Aventura favorita?
Nader– Bosque das bruxas, a mecânica de heróis diferentes, poderes heróicos diferentes e você não precisar comprar carta.
 Verso de carta favorito e por quê?
Nader– Cupcake, eu gosto muito de cupcake, tenho que gostar menos.
 Qual classe você menos gosta?
Nader– Druida, os jogos são muito longos, você cansa da mecânica.
 A mecânica que você mais gostou?
Nader– Descobrir, é a mais engraçada, não é competitiva, mas é divertida.

 Qual sua opinião sobre o RNG?
Nader– Quando se tem a elemento randomico no jogo você aumenta a probabilidade de resultados diferentes, isso dá mais vida ao jogo, é diferente de você ter uma carta de mecânica única ou a+b dá sempre c, ali você da um resultado qualquer dentro de um universo pré determinado, na verdade o Hearthstone já o vanilla tem mais probabilidades que o xadrez por causa da combinação das cartas. Normalmente quem reclama do RNG é quem joga mais competitivo e precisa ter uma predição maior dos resultados, quem não joga tanto competitivo ou não tem essa mentalidade tende a gostar mais do RNG, essa é minha visão.

 Qual seu arquétipo favorito?
Nader– Eu gostava muito de aggro para jogar de caçador, mas em GvG eu passei a jogar muito de paladino controle.

 Padrão ou livre, por quê?
Nader– Livre, porque eu sou caótico.

 Você dublou muito warcraft, qual personagem você gostaria de ver no Hearthstone e que você gostaria de dublar?
Nader– O boticário, ele tem uma dinâmica mais afetada e foi divertidíssimo de fazer, imagino ele sendo um chefe sendo de fase, logo quando acabei de dublar eu pensei nisso.

Crie uma carta, nós fazemos.
Construir- A cada turno na mesa melhore seu pode heroico. (seu poder heroico custa +1 e concede +1 de armadura)

 Alguém já reconheceu sua voz e te disse isso ou tentou adivinhar qual era o personagem?
Nader– As pessoas costumam me achar muito simpático, as vezes eu acho que elas já ouviram muito minha voz na TV e quando escutam pessoalmente acham que sou até mais simpático. Uma vez um cara me perguntou se eu era o dublador de The Big Ben Theory e eu disse que dublava o Leonard, ele pediu uma foto e ficou todo animado.

 Existe algum clube de garotas amantes de dubladores, assim como Marias chuteiras, você já sofreu algum assédio?
Nader– Já por causa de ser diretor, por que queriam emprego, mas quando percebo aviso logo que sou casado e não dou espaço para isso.

 Saindo um pouco do campo da dublagem, você é vice presidente da e-FERJ (Federação de Esporte Eletrônico do Estado do Rio de Janeiro), como surgiu e qual foi a ideia inicial?
Nader– A idéia inicial é a seguinte, a Confederação Brasileira de Desporto Eletrônico é certifica pelo ministério do esporte, ou seja ela pode dizer o que é ou não e-sport após a provação da lei, hoje o que entendemos como esporte eletrônico são campeonatos privados, como é a mentalidade de um campeonato desse tipo, a empresa aloca dinheiro do marketing e faz o campeonato dela, pegando um paralelo com o que vemos mais no Brasil, a CBF ela organiza com patrocínios públicos e privados e monta um campeonato, com séries, estaduais e etc. o e-sport enquanto for privado depende essencialmente das empresas continuarem investindo dinheiro nisso, ao invés de investirem dinheiro na produção dos jogos. Quando você tem a associação dessas empresas com uma confederação que tem superior tribunal de justiça desportivo eletrônico, a nossa equipe anti-doping (que é a mesma da CBF), arbitro independente, câmera de litígio independente, autorização do governo através do ministério do esporte para dizer que aquilo é esporte, você consegue abarcar dinheiro da iniciativa privada através de incentivos públicos, ou seja, incentivo fiscal, isso quer dizer, você tem um poder financeiro muito maior, isso possibilita um calendário anual com divulgação. Vamos dar um exemplo, xadrez online, terá o campeonato anual de xadrez, aquilo é esporte? Sim. As empresas privadas vão poder patrocinar os jogadores, e vão receber pela propriedade intelectual dela, vão participar do lucro dos campeonatos. Isso tudo é uma estrutura possível de ter incentivo, só na parte de campeonatos.


Nader– Na parte social, nós podemos ter manutenção de programas sociais, onde a criança estude de dia e a tarde ela vá ter aula de programação, inglês, matemática e português para ter reforço, só poderão estar ali as crianças que estiverem adimplindo a escola, porque é possível ter iniciativa publica e privada para ter pessoas sendo formadas. É possível ter, onde a federação tiver braço assim como aqui no RJ, um centro de treinamento para os times que não tem dinheiro, com pessoas capacitadas em áreas de alto rendimento, como nutricionista, psicólogo esportivo, que só há em times grandes de e-sport, então é uma democratização.
Nader– É algo grande, que demora a ser implementado, mas essa é a nossa missão, pergunte a alguns atletas o quanto é difícil entrar numa confederação para conversar com um dirigente, nós não teremos esse problema, porque a gente tem a percepção que essa é a necessidade primeva do ser humano, a esperança que ele tem de abarcar o sonho dele. A partir do momento que fizermos essa política de incentivo público, abrirá as portas para que pessoas possam fazer planejamento de vida para isso. Além disso, a Confederação Brasileira de Desporto Eletrônico hoje faz parte de várias associações internacionais que reconhece ela como a confederação responsável no Brasil pelo esporte eletrônico.

Para finalizar o Gnomo cof.. cof.. Gustavo Nader deixou um recado para Taverna das Lendas.

 

 

Arte Jaina por Kriniere.

Arte da carta por Tony Sart.

 


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Leonardo 'Rabeldi'
Manager da Taverna, daquele que entrou de penetra só para tomar um chopp na caneca e jogar no fundo com os Orcs, quando viu já tinha cadeira cativa . Queridinho do RNG, rouba mais sorte dos amigos do que Priest rouba cartinhas. Ama games de todos os tipos e nuba em todos eles, menos terror porque (não conte para ninguém) tem medo de jogar.

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